domingo, 11 de novembro de 2012

O homenzinho arrogante

O homenzinho arrogante faz da sua vida um quase nada,mal se equilibra sobre seus pés e a todos atrapalha,não pede ajuda,julga a quem vê e aqueles que não avista seu péssimo habito de descrer no bem alheio já o prontifica para maldizer:
"Ainda bem que não esta aqui,de um livramento Deus me livrou"
Sim o homenzinho arrogante invoca o nome do Criador,seria o Deus que a todos ama
 igualmente e sem rancor? ou um deus particular advindo de seu ego mal refletido no espelho da falta de compaixão;o homenzinho arrogante arranjou uma companheira mulher farta em conselhos pros outros e que mal ouve a voz amiga que se aproxima,não se entendem mas montam uma peça de teatro próxima da ideal,ah se não fosse encenação poderia até dizer que eram felizes;sabem eles que a felicidade em outro lugar tem morada,mas mudar seria uma fraqueza e tal homem e mulher imbecis por natureza a isso não podiam se valer.
Dormiam todas as noites tristes,gozo furtivo,ronco alto de um,choro combalido de outro,na manhã seguinte mal se falam,correm pra janela a espiar quem passa pobre vizinho,não deu tempo de escapar,obriga-se a dar bom dia e vê tristemente a cortina do teatro se abrir e os papéis tão bem definidos em sua frente se montar,eis a peça triste de dois bicudos,arrogantes em si desprezam a possibilidade de quem sabe humanos tentarem ser

domingo, 7 de outubro de 2012

Entre Atos

Rômulo beija Arnaldo que sonha acordado com Paulo,este abraçado a Patricia espera ansioso resposta positiva de Ana(um motelzinho no fim de tarde,faz mal a quem?);três anos juntos Rômulo e Arnaldo homossexuais quase exclusivamente passivos juntaram-se,medo da solidão afirmava todo e qualquer transeunte ao observar o casal noite e dia sentarem se na praça principal da cidade disfarçando certa cultura em meio a livros de Proust e Machado de Assis.
Conhecidos de baladas GLS após uma conversa amigavel sobre homens e suas mentiras frequentes:nunca fiz sexo com outro homem,minha esposa é fria por isso estou aqui,sempre tive curiosidade e hoje tomei a decisão e voce foi o escolhido e todos demais blá,blá,blás típicos de quem quer sexo facil antes de findar a noite.
Entre tantos assuntos em comum,olharam se confundidos por volta das quatro e meia da manhã,os olhos castanhos de ambos se encontraram trocaram e-mails por tres dias seguidos e casaram se diante de um pé de amora sem tradição religiosa ou juiz de paz.
Rômulo bancario a dezessete anos,Arnaldo professor universitario a dez anos;casal totalmente desencontrado e desconectado mas solicitar o fim seria admitir o fracasso de não saber administrar um relacionamento falido desde o inicio;quantos casais heteros sobrevivem a isso anos a  fio,até que finalmente um deles por coragem ou cansaço decide morrer,ja o outro por  sua vez finge sentir saudades eternas daquilo que nunca obteve.Por que a eles seria vedado tal façanha?
Ja não lhes bastava serem gays,classe média e brasileiros?
Tentariam mais uma vez.
Rômulo finge orgasmo com o minusculo pênis flácido de Arnaldo que neste exato momento sussurra obscenidades no ouvido de Paulo materializado ali graças ao seu poder de concentração no moreno de um metro e setenta braços fortes e sorriso másculo contraponto ao seu galã de um metro e nove e nove cento e trinta quilos e barba por fazer;as raias da loucura com os gemido falseteados de Rômulo,Arnaldo geme baixo um orgasmo fraco.
Ambos torcem para que a segunda feira chegue logo,domingo longo tiveram;alguem nesta tarde de sol tivera sorte de um amor tranquilo?
Cazuza nos salve.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Decisão

Não te digo a verdade,pois não vejo necessidade.
Te importo quanto?
O tanto quanto o peixe e a agua se fundem.
E mesmo assim entre eles pode haver segredo?
Entre eles?Eles quem?
O peixe e àgua.
Mas era só uma resposta abstrata.
Talvez o que temos tenha se tornado um nada abstrato,pena que não tenho talento para ser a mais nova Lygia Pape da praça.
Essa conversa esta ficando ridicula
Esta me chamando de ridicula,ou esta menosprezando meus sentimentos?
Nem uma coisa nem outra,só quero que você entenda...
Entenda,que você transa com a Michele,Irene,Pietra,Rogéria,Nazareth,Santana e aquela alemã estranha,só isso...
Eu não transo com estas mulheres
Por medo de levar um tiro na cara do marido delas,mas não pode negar que a secretaria morena,solteira e gostosa que é toda sorrisos pra você,não tem como negar que ali há uma caso.
Realmente há.
Eu sabia Fernando,eu sabia.Como pôde?
Bom eu não tenho costume de falar da vida dos outros.
Dos outros?É assim que costuma se referir a mim,quando esta com ela,passei a ser a desconhecida entre vocês?
Ah humilhação que carrego hoje no peito será a maior amargura depoi da morte de papai.
Teu pai morreu há trinta anos,e vocês mal se falavam
Isso nada tem haver contigo,Sr.Outro.
Sabina por favor,olha a cena,o prédio todo esta ouvindo.
Tenho direito a quantas cenas desejar,sou a traída,a humilhada,a jogada as traças,a...
A mulher que adoraria ser motivo de comentario neste bairro classe média em que nada acontece,não é isso!?
Não me culpe pelos teus casos,quer me colocar como a dondoca louca loira que nada faz,não é isso?
Nunca pensei em nomear,mas soa de forma perfeita.
E você,Fenando?
Me aponte onde você é diferente?
Branco,classe média,olhos claros,nunca soube o que é trabalhar de verdade como se diz por aí e aos quarenta e cinco anos se deixa levar por uma moreninha qualquer que chega no escritorio com seu charme de mulata carnavalesca e joga toda uma história fora.Nossa história!
Hoje percebo Sabina como lhe fez falta o teatro.
O quê?
Tua encenação com este ar patético faria sucesso na tv,aposto que cairia bem em qualquer folhetim das 18:00 horas,realmente faria sucesso,seria uma dondoca louca loira entretanto com uma história.
Não ironize minha dor,não sabe do que sou capaz.
Sei,ao menos imagino,vais correr pra cozinha e tentar suicídio com a faca que utilizamos na manteiga,mais um ponto pra chamar atenção da vizinhança que não te percebe.Quer ouvir de mim o que sou!?
Pois bem sou um homem cansado,cansei da mesmice,das conversas de sexta feira onde só se fala de Rolls Royce e Mercedes Benz,cansei de uma mulher frívola que apenas sabe contar as folhas de cheque,de um cachorro que consome fillet,de uma pseudo família que só se reune em algum velório e finge algum sentimento por alguem que até poderia ser um familiar se antes nossa frieza ja não tivesse excluído de vez este presunto em seu caixão caro e besta.
E tem mais uma coisa, a secretaria moreninha que você tanto faz questão de esquecer o nome se chama Ruth,namora a aquela simpatica executiva japonesa que não suportou dois minutos de conversa contigo no jantar dos Abdalla lembra-se?
Não faça este olhar de espanto.Quem se admira aqui sou eu a pensar onde se esconde teu preconceito:por ser um namoro inter-racial?por ser um namoro gay? por ser um namoro de diferente classe social?Ou tudo junto?
Você é infeliz e eu decidi ser o contrario.Amanhã mando buscar minhas roupas,não se preocupe o talão de cheque pode ficar com você.Adeus.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Situações

Entre as rodas do caminhão,beijos
Num matagal bem proximo,sexo
Gremistas,Corinthianos,Palmeirenses
Talvez alguns se chamem Marcelo,outros Pedro
Chamo a todos de Daniel
Nome simples,básico,nome de meu avô
Não lembro do rosto do meu avô
Assim como não lembro dos rostos dos Varios Daniel
Lembro da altura de todos
Gosto de pernas longas
Meu avô era baixo
Gosto de negros,mas ja me apaixonei por olhos azuis
Ainda que tenha medo do mar
Os olhos germanicos,marejados do Daniel de 1,95 muito me encantou
Na placa de seu caminhão dizia Chapecó-SC
Já faz mais de tres meses que não o vejo
Não recordo do nariz,da boca,dos ombros
Apenas os olhos e as longas pernas me fascinaram
Houve tambem o Daniel negro 1,73,um homem veloz e prestativo
Guardo a lembrança de suas costas fortes
Temo pela sua esposa concerteza deve sofrer traições
Aquele homem é pra uma multidão,não quem possa dete-lo numa simples noite,tarde ou manhã
Tem o Daniel ruivo com forte sotaque carioca,mas me disse ter nascido no Espirito Santo,comunicativo ao extremo,estranhei
Depois de feito o meu trabalho não remunerado,saio com meu Mercedes Benz contente de certa forma alivio a solidão de homens que como eu não possuem resposta para seus atos no entanto buscam o prazer na forma de completarem a si e o mundo.
Prazer me chamo Ulysses,Ulysses Daniel.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Um assalto

O cano gelado na tempora esquerda.
-Passa o relogio.
La se foi meu rolex de ouro comprado a tres anos em Miami,lembrança da viagem feita com Monica,a amante feita namorada após rompimento de casamento de 5 anos com Adélia,turbulento casamento,pacifica separaçao.Adélia esta tendo um caso com Ulysses,advogado do escritorio ao lado do seu consultorio,Adelia dentista,Ulysses advogado,paredes separavam o affair afoito começado com um bom dia dentro do elevador vigiado por câmeras;nao combinavam ou combinavam tão pouco quanto eu e Mônica.
Ficamos juntos por tres semanas após o descobrimento de Adélia,sim eu e Monica tres semanas apenas,tres semanas iniciais daquilo que achavamos ser a vida inteira,se bem que,só falavamos de eternidade enquanto transavamos,sabe as coisas doidas que todos dizem na hora do gozo?Pois bem nós urravamos eternidade,discursavamos arfantes sobre continuar,continuar,continuar e continuar.
Sabíamos que nada dito seria verdade.
Mais sexo pra enganar a mentira propagada.
Voltamos de Miami e fim,sem telefonemas longos,sem o ultimo jantar,sem olhares lânguidos,nos afastamos.
Adélia e Ulysses tambem,foram um pouco mais longe,Adélia com seu jeito maternal "made in" seculo 21 pediu para Ulysses ir morar no nosso antigo apartamento,disseram me os vizinhos que durante os dois meses em que ali estiveram nao houve sequer uma discussão,sempre olhares apaixonados e sorrisos mutuos no elevador,nas escadas,na garagem e cenas forte de sexo no elevador,nas escadas,na garagem.
Dois meses de prazer.
Adélia sempre foi melhor que eu em saber manter o cativo em tal posicionamento de bem estar que no final o prisioneiro pede pra ficar,Síndrome de Estocolmo?Adélia seria ótima sequestradora se nao optasse pela odontologia;apesar que de certa forma ela captura os dentes de seus pacientes e eles sempre voltam,retornam sempre.Adélia até então respeitada dentista do Morumbi,com alma de sequestradora sueca.
O rapaz de voz gave e um 38 nas mãos pega meu Rolex e vai embora correndo.
Não faço questao de mencionar aqui qual era seu tom de pele,menor ainda se faz o sentido de dizer com que roupa o tal ladrão se traveste,ou se considero este ser inconformado com a vida um culpado ou vítima,tirou de mim,ele,não apenas o relógio bonito e apreciavel,levou consigo minhas lembranças estas que dias atras sozinho tentei recordar.
Incrivel como o inconsciente guarda pra si aquilo que deseja e nos da a conta gotas aquilo que lhe apraz,somos refens dele e assim sendo nem o gelado cano da 38,nem a quente voz grave do rapaz me causam medo agora,me espanta aquilo que guardo e que possivelmente se revele num momento odioso seja pro bem ou mal.
Vou convidar minha sequestradora pro café,será que aceita?

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Ponte

Eram três.
Três homens em uma unica casa,dois pedreiros e seu patrão.A conversa entre eles era sempre a mesma,cimento,pedra,cal,tijolos.
Aquele homem aparentemente rico e distante não se via de outra maneira tão separado dos outros dois tal qual a Finlândia é do Brasil,havia rios,mares e oceano a separar-lhes,enquanto pela manhã o não tão jovem empresario ouvia musicas arabes,judaicas e um desfile de orquestas, lá fora se ouvia destes dois outros homens musica de igreja evangélica e discursos voltados a uma evangelização mútua.
A convivência no entanto duraria o prazo de tres meses tendo em vista a obra de médio porte advinda de uma escada com acabamento de mármore.
Os dois homens na casa dos trinta anos representavam bem a respectiva religião de que tanto falavam pela manhã,ao chegar em casa pela tarde o empresario surpreendeu-se com a figura ainda em trabalho braçal de um dos homens,simpatico acenou para ele,que logo veio ao seu encontro e disse:Eu fiquei pra adiantar o trabalho de amanhã,vou dormir em um pequeno hotel do centro,meu bairro ficou com acesso impedido devido a forte chuva de ontem.
-Ah,me desculpe eu não sabia que teu bairro havia sido atingido.
-Junto com outros tres.
-Eu realmente ando sem tempo pra ler jornais.
-Imagino.
...
-Mas você pode dormir aqui
-Eu ja passei no hotelzinho e falei com o dono de lá
-Mas vai ser mais uma despesa a toa,pode ficar no quarto de empregada,faz uns quatro anos que só tenho diarista ela vem aqui quinzenalmente.
-Ah,obrigado.
-Vamos lá vou te mostrar.
O quarto surpreendemente era grande,algo totalmente diferente nas construções,já que engenheiros sempre projetam cubículos para as empregadas que devem agradecer a Deus o fato de conseguirem respirar na maioria dos retangulos que dizem ser quarto de empregada.
-Nossa.
-Que foi?Ah ta meio bagunçado né,ninguem mais usa como te disse.
-Não,não,é que é bem grande aqui né.
-Ah,voce acha?
-Sim,é.Minha mãe ja trabalhou em varias casas eu conheço bem como é.
Riram juntos sem graça.
-Vou pedir uma pizza,sou vegetariano e você?
-Prefiro calabreza.
-Certo.
-Enquanto não chega que tal uma cerveja?
-Não bebo,obrigado.
-Perdão,esqueci você é religioso,não é isso?
-Na verdade nunca gostei de bebidas,mas sou religioso sim.
-Ja avisou tua esposa que ficara por aqui?Se quiser pode usar o telefone.
-Sou solteiro e o senhor?
-Separado,na verdade não sei bem o que somos,namoramos durante 1 ano e nos casamos,ficamos juntos 10 anos e hoje em dia nos vemos esporadicamente,nos amamos assim.
-Legal,equanime.
-Equanime...é bem por aí.
-Se sente só?
-Me sinto acompanhado da sensação de liberdade,acredito que todos somos sós,apenas demoramos pra aprender.
-Filosófico.
-Metódico por vezes,diria eu.
-Religião?
-Talvez católico.
-Talvez?
-Considero bonito o ritual da missa,só me cansa as muitas palavras pós missa.Os mandamentos de boa conduta me amarram de tal forma que saio correndo antes mesmo de qualquer missa terminar.
-Pensei que você fosse judeu.
-Por causa das músicas que ouço pela manhã?
-Sim
-Minha ex mulher é judia,acabei gostando da cultura.
-Entendo.
-A pizza chegou.
-Eu gostaria de te agradecer por hoje o senhor demonstrou muita boa vontade,assim como os anjos dizem no Novo Testamento:"Paz aos homens de boa vontade",obrigado
-De nada.
Ao acordar logo de manhã o empresario por nome Eduardo Vilar,observou que por mais distante que possa ser Finlandia e Brasil sempre havera um navio,avião ou carta pra fazer uma ponte leal entre os seres humanos,cantarolou.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Meus Mortos.

Subiu na montanha dois quilometros longe de casa e rezou.
Não era católica,nem ao menos cristã.
Afirmava ser de um deus estranho.
Um deus poeta.
Olhou pro céu agradeu de forma simples:"A ti oh Deus que me fez mulher por definição e sentimento,agradeço"
Logo passou a conversar.
-Eu sempre pensei te contar coisas minhas,mãe,mas no dia em que decidi você dormiu.Fiquei tão brava por você dormir profundamente.Passado algum tempo pensei em conversar com o pai,mas numa tarde qualquer de chuva ele caminhou e até hoje deve estar caminhando.A estrada é longa,não o culpo.
-Sabe mãe,ontem a vó dormiu tambem.
-Dela não tenho saudades.
-Acho que nem de voce eu tenho;acho tão egoísta ter saudades.Por que veja bem,se voce precisou dormir é por que se fez necessario teu descanso,não ousarei jamais chamar-te a voltar.É tão bom conversar contigo;não consigo estar triste.
-Ontem o Ricardo me chamou pra conversar,dei-lhe um beijo.Acho que ele vai ser meu primeiro homem.Hoje ja faço 17 anos mãe chegou minha hora.A senhora tem que ver que homem bonito,mudou-se pra perto de casa logo depois da senhora dormir,estatura mediana olhos castanhos esverdeados pele clara de anjo barroco.A senhora ia gostar da mãe dele,tão carola,vai na missa todo domingo e reza toda sexta feira junto com as Marianas.
-Tô pensando até mesmo mãe em colocar uma roupa mais atraente,eu e ele conversamos sobre isso.Ele acha que é cedo demais,não faz idéia de como fico quando ele passa,agora entendo aquele seu olhar todo bobo quando o pai chegava do serviço.A senhora tambem ficava toda molhada apenas com o calor da mão dele?
-Desculpa.
-Mas é que hoje me vejo mulher como você.
-Olha vou colocar umas peças vermelhas e vai ser lá em casa,tia Conceição nem vai notar vive na Igreja a rezar com o padre pra cima e pra baixo,tua irmã é boa mãe,mas é tua irmã,isso é bem claro.
-Vamos transar no sábado,na segunda feira te conto como foi.Ta ficando tarde tua irmã logo chega.
-Beijo mãe.
Acenou para o céu e recitou:Aquele poeta que fez o tudo e o nada e entrevém nos meus braços trago delicada paixão,um adeus apertado e resto de pão.
Caminhou até sua casa e dormiu feliz.

sábado, 6 de novembro de 2010

Fim

Desconsiderando qualquer forma de amor relutante.Luzia deixava claro pra um certo Antonio sua decisão de se separar.Haviam sido amantes por seis meses e tudo corria perfeito até que ela num domingo de manhã após sua missa anglicana habitual,decidiu que precisavam se encontrar.
Antonio,sou eu.Preciso conversar com você ainda hoje.Sei que esta na cidade te encontro as 14:00 horas no Motel Sandore.
Antonio não respondeu apenas aquiesceu.
As 14:30 Antonio chegou esbaforido.Você não sabe minha mulher deu um show sobre domingo ser dia da familia e tive que deixa-la em meio a uma crise.
Eu quero terminar.
O que?
Eu me apaixonei e quero terminar.
Hoje é domingo minha mulher acaba de ter uma crise por uma mentira mal dada e você quer iniciar outra crise,Luzia?Acha que eu aguento?
Estou avisando hoje pois amanhã não quero te ver na faculdade.
Fazemos o mesmo curso,lembra?
Antes fazíamos bem mais que o curso e é apenas isso que quero impedir.
Você se apaixona,por um acaso(posso ser cínico assim?) por mim,e me joga fora.Acertei?
Não.
Então?
Como posso dizer,Antonio?
Não faço idéia.
Você me fez bem,nos fizemos bem.Acredito que na horizontal somos imbatíveis,invenciveis.
E o que esta errado?disse choroso.
Eu.
Você é perfeita pra mim.
Eu quero ser perfeita pra mim.E a minha perfeição é ser incompleta.
Voce tem que parar de ler tanta filosofia.
Descomplicar apenas isso que busco.
Descomplicar significa me colocar de lado?
Nossas vezes de ladinho foram especiais,disse lacônica.
Não faz isso comigo ja to ficando com saudades de nós.
Você esta com saudades de nosso sexo,isso qualquer prostituta pode te ajudar.
Eventualidade em consigo com qualquer uma,mas cumplicidade só com você.Eu não posso me separar agora,mas se vc esperar um pouco mais...
Eu não te quero.
Não me parece segura.
Eu não quero tua vida,eu quero minha vida e se isso significa você fora dela é assim que vou fazer.
Você fala como se nós fossemos independentes de sentimentos.
Não sou escrava deles.
Se doa um pouco pra mim.
Eu estou reservada Antonio.
Quem é ele?
Você me menospreza.
Eu te quero;do que você esta falando?
Você me olha como se eu estivesse procurando um pedaço de carne pra colocar na buceta.Eu digo que quero tocar minha vida de forma independente e você afirma que tenho outro.
Eu apenas perguntei.
Você praticamente me acusou.
É por que sou casado?
Não.
Qual o motivo?Eu preciso saber.Tenho direito,não?
Vou embora.
Fica.
Se tivesse chegado no horario nossa conversa teria sido maior.
Eu disse que...
É isso...
O que?
Eu sou o trunfo do teu ego,hoje é tua esposa que deu crise,amanhã teu carro que quebrou,depois de amanhã uma reunião do seu chefe;e sempre a certeza de que alguem aqui estara sentada a te esperar, por favor Antonio.
Sem fala olhou pra ele num ultimo pedido de compaixão.
A voz suave e firme de Luzia ressou:até amanhã na facul,boa tarde.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Juventude

Sobre seu caderno de musica,lagrimas.
Diesa e Marcelo não passariam de parceiros musicais.Estudantes do Conservatório Israelita de São Paulo se viam todas quintas feiras,conversavam sobre assuntos variados,nenhum dos dois judeus,apenas seus pais haviam lido que ali tinha sido considerado o terceiro melhor conservatório das Américas.Tambem a esse preço exorbitante,dizia o pai de Diesa,todo dia 15 do mês.Mas dizia com certo sorriso na voz,gostava de ouvir os trinados da filha ao piano.
Nesta quarta feira dia 05 de Abril Diesa decidiu que falaria de seus sentimentos.
Oi,Marcelo eu estava pensando em conversar contigo,iniciou.A Diesa eu também,poxa acredita que não consegui acertar aquele dó até agora e olha que treinei a tarde toda de ontem.
Ah,tá.Depois falamos disso.Disso?é tudo que mais me importa.
Pois eu tenho prioridades outras.
Mulheres,mulheres,vai me dizer que é emagrecer ou pintar cabelo ou comprar sapatos?
Seria você e estes apetrechos também.
Ah obrigado,somos irmãos praticamente.
Incesto?
O que?
Se fossemos irmão isto seria incesto.Puxou Marcelo pela camisa e lhe deu um beijo.
Mas Diesa,falou arfante.
Eu não sei se estou pronto pra um namoro.
Quem falou em namoro?
Temos só 15 anos Diesa.
Eu tenho 16 Marcelo esqueceu?
Desculpa esqueci.
Puxou novamente e sentiu sua língua percorrer a língua mole de Marcelo,ela de forma abrupta cono se estrupasse uma língua virgem ele sendo conduzido.
Te vejo amanhã.
Não vai ficar na aula hoje?perguntou Marcelo nervoso.
Hoje meu dia acabou,feliz dia acabou.
Ligou pro pai inventou uma indisposição,Marcelo ao seu lado com mãos frias a esperar seu Rui seu quase sogro,tentou falar alguma coisa quando Rui chegou Diesa virou-se deu um beijo longo e se foi com o pai.
Rui olhou para o menino e disse:Se você fosse judeu isso teria acontecido quando se conheceram quando ela tinha 13 anos,o que andam ensinando nas igrejas anglicanas de hoje?
Pai e filha sorriram e se foram no carro esporte cor cinza,Marcelo foi afinar seu piano neste dia Vivaldi não deu conta de lhe acompanhar.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Rapazes

Parado em frente a porta do hotel aguardou.
Era o fim.
Ricardo olhou em volta e em sua direção vinha Rafael tamanho médio,fortes braços,cabelos pretos pele clara dentes branquissimos leve musculos nos braços.
Sorriram automaticamente.
-Acho que é o fim.Apressou-se Ricardo
-Pode não ser.Sorriso nada confiante de Rafael
-Luto pra ser indiferente,mas a tua forma sedutora para com todos me deixa enciumado.
-Deveria mudar por insuficiencia de confiança tua?
-Por isso não quero amarra-lo a nada.
-Você pra mim é tudo.
-Não faça assim,por favor.
-Assim?Assim como? Lutar para que o nosso amor sobreviva a mais uma tempestade.Tempestade formada por ti.
-Como posso?Como posso conviver com esta situação Rafael?
-Qual delas dessa vez?
-Fora esta que você esta fazendo no momento;tem o seu relacionamento com seu ex como se fossem amigos íntimos vocês voram viajar juntos.
-Trabalhamos juntos.
-Eu não posso,voce compreende?
-Não,não compreendo e ja não sei se ao menos quero compreender,entender ou escutar.Respirou e prosseguiu:
-Desde que te conheci me uniu a ti nossas diferenças.Quais?Talvez estejas a se perguntar.Respondo sem problemas.Todas.Todas diferenças.Quando de te vi naquele curso de alemão que fazíamos juntos,meu Deus,pensei comigo que não seria possivel meu sonho se materializar em frente aos meus olhos,você com este tom de pele escuro,teus lábios carnudos,esta voz que vai o grave ao agudo no mesmo segundo doce delicada e forte,tuas mãos àgeis,teu vocabulario totalmente requintado.
-Foi paixão apenas?
-Ama-se um ideal a princípio,sou humano sabia?Começou como paixão tesão seja la qual for a classificação necessaria ou desejada por ti ou pelos demais.Mas a realidade é que desde então luto por nós.Por esta união que apenas eu vejo,apenas meus olhos conseguem vê-la.Por que corres dessa maneira.
-Estas sendo maniqueísta.
-Estou expondo o que sinto a teu favor,mas juro que se fores pra continuar em algo frio e instavel concordo com o fim.
-Frio?
-Frio.
-Ora frio(Ricardo alterou a voz agora mais aguda do que de costume)então me ensina como não sentir ciumes?
-Confiando.
-A tua filosifia soa como sarcastica.
-Qual a prova que tens de alguma traição?
-Mas é isto.
-Isto o que,Ricardo?
-É isto que não quero.Não quero ter que passar por essa humilhação pelo vexame que é ter que servir de impecilho pra você e teu ex.
-Mas o meu ex existe assim como o lixeiro,o motorista de taxi,o escritor espanhol que nunca leio.Meu ex simplesmente existe,meu amor.
-Há cumplicidade entre vocês eu sinto.
-Nem todos terminam com raiva ou ódio um relacionamento.
-Eu vejo a forma como ele te deseja.
-O mundo esta cheio de pessoas que sentem algo por outras e o ser pretendido não pode levar a culpa pelo que despertou quando sua intenção primaria é ou era totalmente outra,pensar o contrario seria ilógico.
-Neste momento a razão me foge.
-Ao pensar que você pode ir embora me foge o chão por debaixo dos pés,Ricardo.Eu sinto tua falta pela manhã quando acordo ao teu lado,ou quando estou em algum almoço de negócios,e até mesmo quando quase que diariamente fico preso neste maldito transito.Eu te amo e aguardo receber o mesmo.
-Ficarei neste hotel,Rafael.
-Por quanto tempo?
-Até amanhã pela manhã as 18:00 horas pego um avião pra Buenos Aires.Estou sedento por novos ares,boleros e talvez vinho.
-Você não bebe.
-Eu sei.
Deu um passo para trás se virou em direção ao elevador,olhou pra trás apenas uma vez e viu ali um homem de terno ao chão chorando como recem nascido,não teve forças pra voltar.Ao ascensorista com voz embargada solicitou o décimo andar.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Junção

Esperou o telefone tocar.
Depois de uma hora e meia tocou.
-Alô.
-Por gentileza poderia falar com a senhora Lucia Ruiz.
-Sim é ela,quem deseja?
-Ola sou Priscila do Cartão...
E la se foi quarenta minutos da explicação desnecessaria de um cartão que não utilizaria,mas por educação aquela moça que talvez se chama Priscila e que estava sendo obrigada a cumprir uma meta louca de uma empresa que pede a ela ligar para um possivel cliente as 21:00 de uma sexta feira.
-Ah obrigada Raquel.É Raquel teu nome né?
-Não senhora,Lucia, é Priscila do Cartão RevisVinda que possui varios itens de comodidade para seus clientes e afins,diz a simpatica garota pronta a repetir por mais quarenta minutos tudo que ja havia sido dito,ansiosa pra cumprir sua meta.
-Agradeço Patricia pela ligação mas no momento utilizo outro cartão mas revisarei as vantagens do teu e entro em contato.
-Podemos entrar em contato com a senhora amanhã.Persistiu a moça.
-Obrigada querida sábado não é dia de negócios somos religiosos.
-Segunda feira seria um bom dia senhora?
-Prefiro aguardar mais um pouco,tudo bem? Ja com certa impaciência.
-Temos ofertas para cliente que fazem portabilidade posso lhe passar o nosso modelo a senhora gostaria?
-Não.
-Ficou alguma duvida senhora?
-Não.
-Deseja que entremos em contato.
-Não.
-Podemos cadastrar o numero do teu celular?
-Não.
-Deseja receber nossos informativos via e-mail?
-Não.
-Boa noite,senhora.A moça guardava na voz certa doçura.
-Boa noite,Roberta.
Mal colocou o telefone no gancho e ele fez seu som habitual.
-Alô.
-Oi,sou eu
-Esperava que fosse.Usou um tom rude
-Podíamos conversar melhor amanhã em algum restaurante.
-Não acredito Marcelo que seja possivel.
-Nestes 5 anos juntos,Lucia é raro uma fase tuaque não comece com a palavra:Não
-Então a avaliação de nosso relacionamento saltou de e-mail pra telefone.Sabe como me senti ao receber teu e-mail?
-Você sempre foi tão antenada.Rusga na voz
-E romantismo nunca foi teu forte.
Suspiros.
-O que faremos?
-Detesto teu tom grave Marcelo
-Nesse momento não consigo usar falsete.Procurou dar uma risada
-Como cantor lírico você é mais que eficiente,mas humorista?Humor não combina contigo.
-Vindo de uma executiva praticamente alemã isso seria elogio.
-Havia fogo entre nós,não gelo.
-Havia tudo Lucia menos amor.
-Você confunde amor com paixão.Cinco anos Marcelo e você esperava que eu me comportasse como uma garotinhade 15 anos esperando o namorado mais velho na porta do colégio.Você espera de mim a juventude que ja não temos.
-Nunca fiz menção ao tempo.
-Você nunca teve coragem de colocar em palavras o que em teus atos e pensamentos ja permeavam.
-Então você lê mentes? Se soubesse disso antes teriamos montado um circo e ganhado certo dinheiro.
-Dinheiro nunca foi o nosso ponto fraco.
-Mas também não foi nosso ponto forte.
-Você artista Marcelo.
-Era pra você algo lindo precisamente ha seis anos atras.
-Cinco.
-Lucia moramos a cerca de cinco anos juntos,mas entre o namoro na sala de estar da casa dos teus pais até hoje são seisanos de convivencia.
-Desculpe me esqueci.
-Não foi apenas isso que esquecestes.
-Chega de acusações.
-Constatações.
-Constatações?Então cabe aí todas as noites de sábado que aguardei você terminar alguma apresentação para enfim dormirmos juntos?
-Qualquer esposa de caminhoneiro conseguepassar por isto sem mal algum.
-Você faz esforço pra não me entender.
-Eu quero retorno.
-Retorno?
-Eu te desejo Lucia.
-A executiva gelada alemã?
-Não sei,se esta estiver presente no momento de nossa transa talvez não.
Sorrisos,de ambas as partes.
-Eu preciso do teu canto.
-Eu dos teu numeros.
-Recomeço?
-Retire o bilhete meu rapaz.
A porta do apartamento destranca-se ceular ao chão,telefone fora do gancho.Sorrisos arfantes,sons abafados,arrastar de móveis,línguas e afagos.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Família,Fabricio

-Como se ela pudesse entender.
Fabricio deixou em cima da mesa o papel e caneta que pegara pra deixar o bilhete agora não escrito,não deixaria uma só linha do seu desaparecimento.
Ao completar 19 anos achou-se capaz de cuidar de si e longe de casa pretendeu ficar.
Saiu da cidade de São José dos Campos pela madrugada do dia 06 de maio aventurando-se ir para Campinas 5 horas de estrada e la estaria.Cidade que conhecera apenas por nome e se identificara tão logo ao descer na rodoviaria;a conretização do alívio se deu quando o vento tocou seu braço de leve.
Com o pouco dinheiro que tinha instalou-se em uma pensão barata próxima a rodoviaria e por ali ficou,logo começou a trabalhar como caixa de um supermercado em um bairro longe dali uma hora e meia de ônibus até chegar ao trabalho.
Escolheu estudar e viu uma faculdade com preços módicos com sistema a distância matriculou-se em Ciencias Sociais, fascinado ficava pela discussão,pelo embate/debate de temas relevantes ao macro conjunto denominado sociedade.
Achou-se uma partícula no meio de um bolo gigantesco chamado Terra e isso o fazia delirar,anarquico,resoluto, resumido em si, contente estava.Em um dia de Julho a sua espera em frente a porta de seu pequeno quarto de pensão estava uma senhora cabelos pretos presos, calça de brim preta,pequena jaqueta jeans e blusa amarela;olharam-se de forma cumplices.
-Por que foi embora sem se despedir?
-Não havia razão pra palavras,mãe.
-Teu pai perguntou de você hoje pela manhã.Foi aí que percebi que ja era hora de sua volta.
-Já era sabido?
-Você sempre deu indícios que não ficaria conosco.Desde pequeno,você ja era dono do mundo.
-Meu mundo.
-Sim teu mundo,filho.
-Sou tão previsível assim?Como me achou?
-Não seria previsibilidade e sim pistas.Por mais de tres meses você pesquisou sobre essa cidade,lia tudo a respeito dela,acho que cada palmo de chão voce conhece melhor que qualquer um que aqui nasceu,vive ou viveu.Então peguei um ônibus pra cá desci na rodoviaria expus tua foto e em menos de duas horas consegui achar teu lugar.
-Meu esconderijo?
-Teu lugar meu filho,homens como você não se escondem apenas procuram a própria aldeia.
-Eu me sinto tão do mundo mãe,quando estou aqui.
-Você é daqui meu filho,teu coração aqui pousou.
-Me arrependo de ter deixado a senhora.
-E teu pai,não?
-Me lembro dele quando vou dormir.
-Tão iguais vocês dois.
-Quer uma xícara de café,vamos entrar.
-Não filho vou pra rodoviaria passagem marcada pra logo mais.
-Eu te vi e isso importa.
-Eu te amo,mãe.
-Eu sempre soube,me dê um dos teus livros levarei ao teu pai como recordação.A dona da pensão me disse que nunca viu rapaz tão bem educado como vc,que trabalha,estuda vai a igreja,tão resignado.Ela me olhou como dando aprovação a minha criação.Mal sabe ela que você é assim desde pequeno e que mal pude lhe influenciar.Nada tens do meu ateísmo ou meu habito de fumante esporadica,mal sabe ela que desnecessarias foram as vezes que lhe contei historias de Lobo Mau ou alguma canção de ninar.Viestes tão pronto filho meu,nascestes tão teu.Te reconheço meu nestes teus olhos sim nisto somos iguais,inegavel.E o temperamento libertário é de teu pai,solto no mundo,absorto em teus ideais.Te deixo livre meu filho por que sei que contigo levas nosso coração.
Abraçaram-se e la de seu quarto Fabricio viu uma jovem senhora de calça preta jaqueta jeans e blusa amarela sorrir pra si e enviar um beijo aos céus antes de pegar seu ônibus azul .

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Leonel

Ele seria feliz no final do dia.
27 anos ajudante de cozinha em um famoso restaurante conhecido apenas no litoral norte quando o sol decidia raiar.
Tudo em sua volta parecia estar risonho para os demais.
Canções evangelicas no rádio,pistom ouvindo-se na escola de musica gratuita da prefeitua a tres metros,a vizinha bisbilhoteira com seus olhos arregalados e sua língua rapida e àspera a desdenhar da jovem universitaria que estava tendo um caso com o padre da cidade(isso diziam todos),o padre que na sua bela idade de 33 anos não dava a menor atenção aos boatos e continuava a malhar todas as manhas com seu belo corpo de homem solteiro a procura de olhares obsequiosos.
Leonel via a vida passar.
Sentava-se em frente ao computador e escrevia em seu blog algumas poesias sonhava que algum dia uma editora visse a favor do acaso seu blog entre tantos e o contratasse,as quartas feiras participava do culto metodista e no sábado ensaiava junto ao coral.
Seu coração sempre vazio preenchido apenas pela esperança de um dia se tornar escritor famoso,não aquela fama fácil e ardilosa de Paulo Coelho ou Dan Brown queria ele ter o reconhecimento que Carlos Nejar e Ferreira Gullar despertam.
Numa manhã de domingo chuvosa ao ouvir o pastor pregar sobre esperança Leonel foi até uma lan house próximo a igreja e escreveu pela primeira vez um conto.O poeta havia se tornado contista.
Saiu tão contente a assobiar uma música religiosa:"mas é preciso que o fruto se parta e se reparta na mesa do amor,mas é preciso que o fruto se parta e se reparta na mesa do amor",ao atravessar a rua em meio a poças d'agua e vento forte não observou o carro que em sua direção vinha.
Leonel ao chão,sangue espalhado no casaco de couro, as luzes do carro para ele seria o coral celestial a recebe-lo no céu.Dormiu!
Na segunda feira pela manhã em seu funeral nenhuma canção se ouviu.Leonel levou consigo a beleza das letras e a paixão das canções

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Noite adentro

Olhou ao lado e viu o rapaz de bermuda branca se insinuar.
Com olhar atrevido colocou a mão por sobre a bermuda demonstrando o volume que ali havia,Denis decidiu ser seu cliente.
-Quanto custa?
-O que pretende?
-Dependendo do preço tudo.
-Tudo mais hotel sai a R$110,00 reais.
-Entra no carro.
Conversa rápida,sexo nem tanto.
O rapaz da bermuda se chama Rodrigo,se este for seu nome verdadeiro não lhe cai bem,tinha rosto de Carlos.
Dotado homem branco leve cheiro de bebida.
-Você não é daqui?
-Em que sentido?
-Teu sotaque.
-Pois é sou de uma pequena cidade longe daqui,mas moro aqui há um tempo.
-Quanto?
-Dois meses.
-Curte?
-Sim,por quê?
-Te passo meu celular quando quiser é só ligar.
-Obrigado.
Dois homens em uma cama,duas vidas entrelaçadas.Os dois quase um;impagavel o prazer de ter outra respiração no pescoço,aquele gemido cantado dentro da orelha,outra mão boba ligeira.
Pago o valor de acordo um pega a esquina a direita o outro a Av. dos Encantados.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Despedida

O frio lhe fazia bem.
Raul encontrou-se com seu amor na praça próximo de sua casa,infeliz por ser talvez o último dia em que passarão juntos.
Raul olhou de longe seu namorado 1,73 moreno cabelos escuros de sobrenome inglês com traços àrabes.
Chorou.
Moore voltaria pra cidade natal iniciaria o curso de Jornalismo em Porto Alegre e sabia que não seria mais o mesmo quando a distância desse seu parecer no relacionamento.
Frente a frente as lágrimas contínuas na face de ambos.
Triste fim?
Pensamento este rasgou o cérebro dos apaixonados rapazes.
Raul ali viveria na cidade onde nascera e aprendeu amar.Moore encontraria em breve um outro alguém.
Abraçaram-se e com voz baixa concordaram em ir pra um hotel barato.
Transaram loucamente.
Moore cruzou a porta e depois de 5 meses mandou um telegrama.
Havia iniciado um namoro com um professor casado.
Raul leu o telegrama sem saber o sentimento que se dera dentro de si.
Vestiu sua calça jeans preta,camiseta azul clara,tênis all star vermelho e saiu pra contar as folhas caídas no chão.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Rafael

Cansado de aguardar deixou as flores no banco traseiro do carro.
Dirigiu até a estrada velha que dava para rua Conselheiro Montemor estacionou e ficou a pensar.
Três horas se passaram enquanto o sol lá fora se despedia,ele absorto movia os dedos lentamente como um maestro russo ao executar Rachmaninoff.
Ao perceber que as horas avançavam deu marcha ré e parou novamente em frente a praça; linda praça com bonito nome de Ingrid Ishikawa,não sabia quem havia sido tal mulher mas de algum modo a achou digna de ser admirada.
Avistou de vestido azul claro Ana.
Saiu do carro e numa pressa assustadoramente fora de seus padrões perguntou onde havia Ana estado para que uma demora como aquela tivesse ocorrido.
Ana deu um beijo em seu rosto e subiu no ônibus que do outro lado da praça esperava passageiros.
Rafael não viu mais ninguém além dela subir ou assentar-se no 336 Bairro Belo Jardim apenas a moça loira de olhos azuis que lhe beijou a face e o presenteou com uma interrogação.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Clarice

Contou mais uma desilusão entre tantas no caminho.
Clarice.
Meiga moça ruiva a olhar pela janela num domingo de sol pós culto presbiteriano diurno.
Nunca havia sentido algo tão forte quanto o que sentiu pelo alto pastor luterano.
Clarice havia vivido seus desencontros amorosos juvenis,contava apenas com 20 anos quando foi surpreendida com a imagem de um alto homem branco,olhos verdes,voz firme,braços fortes sorriso de galã.Era o novo pastor da mais recente igreja luterana da cidade.
Em uma festa de boas vindas entre as igrejas históricas da cidade deu-se uma troca de olhares perceptível a todos porém eram jovens,não haveria mal algum mesmo este pastor sendo casado,"coisas da idade" disseram os pretensos protestantes.
Havia no olhar da esposa deste que denunciava uma certa complacência,não fazia o estilo de mulher ferida pela possível traição.
O segundo encontro em um supermercado ocorreu de forma natural e simples entre uma prateleira de azeitonas e outra de palmito.
"Não me satisfaz palmitos" disse o pastor.
"Depende da forma como se introduz ele pode ser bem saboreado"respondeu ela.
"Conheces de cozinha?"indagou ele
"Um pouco menos do que da vida"replicou a ruiva.
Com um sorriso bem pouco galante caminhou ele para o caixa.Dando ali um sorriso aberto e conquistador para a operadora.
Terceiro encontro foi na Igreja,Igreja Luterana da Salvação.
O pastor defendia a idéia de que a sociedade esta pronta para atacar aquilo que na verdade reconhece dentro de si ou entre quatro paredes o que é abominável ou frágil,nenhuma figura poderia melhor ser retratada nesta pregação do que Maria Madalena alvo da intempérie de um povo.
O olhar fulminante do pastor veio em sua direção quando disse do arrependimento de Maria Madalena que a certa altura do Evangelho chega a enxugar os pés de Jesus com os cabelos.
"Quereria ele dela algo comparável ao que a personagem bíblica?Devoção extremada?Silêncio ao invés de inteligência colocada em palavras?Seria um convite?" dúvidas apenas isto carregou do culto.
Ligou para o pastor na manhã de sábado e disse que iria a livraria e precisava de uma boa dica de livro,o pastor disse que precisava conhecer algumas livrarias da cidade e se propôs a ir com ela.
De bermuda jeans,pólo verde escuro,sandália de couro marrom o pastor parecia um turista canadense na pequena cidade de Guaratinguetá,com as bochechas vermelhas pelo sol que tomara reluziu ainda mais a beleza européia do jovem pastor sulista.
Procuraram pelos livros de Moacyr Scliar,Milton Hatoum,Lygia Bojunga acabaram ao mesmo tempo com olhos no livro de uma escritora recente por título Sexo entre Religosos e Afins,Laura Cardoso Ximenes psiquiatra judia que abordava a questão sexual dentro de várias religiões,os dois se aventuraram na compra.
No estacionamento da livraria trocaram emails.
Durante a noite conversaram longamente até que uma frase por fim deu o tom de toda uma conversa:"Preciso te ver amanhã".
Marcado o encontro na Biblioteca da Cidade,entre Machado de Assis e Lyia Fagundes Telles se deu o orgasmo menos literal já um dia descrito.O pastor colocou as mãos por baixo da minisaia levantou levemente sugou a pequena vagina com alguns fios ruivos enquanto a moça gemia de prazer com uma biografia de Carmem Miranda nas mãos.
Terminaram a bela tarde de sexo transando na secretaria da igreja.
Mal conseguia olhar para a esposa do pastor quando percebeu que seu pai,presbiteriano desde a infância tornou-se luterano convicto aos 54 anos e passou de um músico inveterado a leitor compulsivo com primaz constância as bibliotecas e livrarias da cidade,sempre acompanhado de Sylvia esposa do pastor e criadora do Ciclo de Leitura Luterano.
Continuou a apreciar os livros.

sábado, 7 de novembro de 2009

Diego

Eu não sei.
Repetiu tres vezes ao psiquiatra.
Calou-se em seguida.
Após ler Rimbaud,Ferreira Gullar e Sidney Shelton desceu a cozinha.Tateando pelas paredes sem os habituais óculos que dispensava dentro de casa chamou por Gabriela.
Silêncio por resposta.
Sem sinal de que alguém passara pela cozinha muito menos Gabriela que sempre deixava portas dos armários abertos e um cheiro de café estonteante por toda casa.Tudo estático portas fechadas,fogão irritantemente desligado.
Foi ao calendário consultou-o de cima para baixo não era aniversário dela,seu ou de alguém próximo.Qual seria a surpresa?
Lembrou-se...era aniversário da irmã dele,mas havia tres anos que ela vivia na Alemanha,qual cidade mesmo?
Duhrein.
Nunca entendeu por que alguém escolheria um país tão gelado para morar,pior que Alemanha só o Pólo Norte ele e Gabriela sempre amaram o sol,conheceram-se na praia.
Ubatuba.
Sua irmã teria vindo de tão longe enfim?
Duhrein.
Havia um e-mail há ser conferido,um e-mail já lido mas que por alguma razão precisava ser reconferido.
"Venho por meio deste consolidar minha tristeza por esta perda.Nunca imaginei em nossa família algo tão terrível!Meus pêsames.De sua irmã Antônia!"
Pêsames?
Mas...
Foi ao telefone e discou para a sogra,claro Gabriela devia ter tirado o sábado para ir na casa da mãe,viúva,protestante,sozinha como ele poderia ter cogitado num sábado de folga como aquele Gabriela não visitar a mãe-amiga de todos momentos."Homens" lembrou-se de como Gabriela sempre dizia quando ele esquecia coisas óbvias que uma mulher por momento algum deixaria escapar.
Discou o número.
O telefone tocou tres vezes a sogra atendeu ao ouvir a voz o genro chorou.
Diego desligou.
Foi até a escrivaninha,viu uma carta de Gabriela a grafia delicada:"Obrigada por proporcionar esta viagem sensacional,estou feliz por me encontrar com sua irmã em um país tão diferente de nós dois.Vou com a parte esquerda do meu coração no peito.A direita deixo contio e quero junta-las na minha volta.
*Não esqueça de ser gentil com Marilda nossa empregada,de dar água as plantas e ir a igreja aos domingos.
Te amo,Gabi"*
A imagem de um lindo corpo delineado de mulher negra 1,80 cabelos chanel pretos,placidamente maquiada,vestido preto estilo tomara que caia,capa cinza de pelos sintéticos,sapatos Gucci prateado.Sua Gabriela estirada ao chão,atropelada após sair de uma pequena capela luterana e neve ao lado contornando a cena funesta.
Diego olhou para o psiquiatra homem alto,loiro de rosto largo procurando decifrar as incertezas,diferenças e injustiças da vida.
Olhou para o alto e disse:
Eu não sei.

sábado, 17 de outubro de 2009

Bailarina

Reviveu ao ver o ballet russo apresentar-se pela terceira noite consecutiva no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.Mariana sorriu destemida ao ver uma jovem negra como ela dançando levemente no palco gigantesco.Respirava diferente dentro do teatro,como se os pulmões absorvessem a atmosfera de satisfação que ali reinante.
Aplaudiu de pé.
Se por ela fosse ali ficaria,veria horas a fio o espetáculo.
Na volta pra casa tomou seu habitual ônibus da zero hora;na cidade de Tres Corações- Minas Gerias onde cresceu ouvia dizer que meia noite era horário das almas penadas;vivendo no Rio de Janeiro há dez anos e oito meses esqueceu-se das almas penadas e prestava atenção nos passos que a acompanhavam dia e noite.
Cada um poderia ser a face viva do horror.Estampado em cada rosto a insegurança advinda da maldade profunda.
Viu em seu primeiro ano morando em cidade grande uma senhora sendo atropelada em plena Avenida Atlântica e apenas um murmurio de alguns que chamaram a ambulância e tudo o mais a correr normalmente.Apenas mais uma mulher,desta vez uma senhora de aproximademente 70 anos caida no chão atropelada por um motoboy que corria para entregar algo importante para alguém que poderia reclamar de seu serviço prestado com 5 minutos de atraso.
A velha no chão.
Ela continuou a andar também.
"Problemas arrancam a sensibilidade" pensou.
Enquanto folheava um exemplar mais recente do livro do pastor batista Ike Murdoch Phillips,pensou em como seria bailar ali em plena avenida carioca,ou pintar o Museu de Arte com cores vivas como as que viu em um livro sobre pinturas africanas,pensou em decorar postes com cetim e colocar ao lado de cada semáforo uma poesia de Wally Salomão.
Desceu no seu ponto rindo sozinha.
Ao chegar em casa deu leite ao gato,ração pros peixes,assou sua lasanha vegetariana e dançou ao som de Beethoven,ouviu aplausos ao deitar-se,após longa oração.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Silvana

Silvana desacreditou quando desembarcou em Paris.
Economia de dois anos pra conhecer a cidade tão bem cantada por Edith Piaf,Cidade Luz.
Foi sem um amor na bagagem.Na cidade mais romântica do mundo.Silvana tomou vinho sozinha,degustou azeites carissimos e tomou cuidado com crossaint's engordativos e deliciosos.
Não houve lágrima ou desespero.Soube ser companhia pra si.
Brasileira,amazonense,flamenguista e corretora de imóveis,alegrou-se ao tirar fotos de cada canto da cidade e postar em seu blog pessoal.
Comprou alguns "souvenier's" para seus 7 sobrinhos,2 amigas e para o ex namorado hoje casado com sua cabeleireira.
Silvana tinha marcas no coração que o tempo podia até fazer questão de não apagar,mas na lembrança guardava apenas o fogo ardente de ser feliz independente da variedade de atuações de vários amores deixados a beira da estrada.
Uma semana restava para voltar ao Brasil,foi em um antiquário na tarde bela e fria de uma Paris atual observando os quadros abstratos a frente reconheceu os fios longos e loiros de uma antiga amiga.
Denise.
Haviam estudado o colegial juntas e nunca mais se viram;Denise apresentou o marido e logo foram jantar a três em um pequeno restaurante calmo,regado a vinho e boa conversa.
Relembraram.
Antoine um típico francês alto e magro ouvia a conversa calado e atento ao português que vinha aprendendo desde que conheceu Denise na Embaixada Brasileira onde ela trabalhava como secretária a exatamente 3 anos naquela noite.Tímido propôs que a brasileira fosse a casa deles no dia seguinte marcaram o horário e antes mesmo que Silvana pudesse se dar conta um táxi a esperava na porta do hotel para levá-la a casa dos amigos.
Ao chegar,Denise esperava sorridente na porta cheia de flores em um belo endereço da cidade,no olhar de ambos algo diferente,certa sensualidade pairava no ar.Frisson.
Conversaram amenidades.
Entre um copo de vinho e outro,Denise a beijou.
Elas se beijaram.
Antoine olhou tímido.Tirou a roupa,tímido.
E na bela cidade levemente fria um casal mostrou a beleza da cidade.
A beleza dos corpos entrelaçados.
Silvana esqueceu de postar por um dia algumas fotos.