sábado, 11 de abril de 2009

Thiago

"Se não for pelo humano de nada vale a fé".
Estas palavras marcaram o fim de sua fé protestante,o fim de sua fé cristã,o fim da fé.
Thiago caminhou anos a fio a procurar uma igreja cristã que o retratasse como ser humano apto de inteligência,esqueceu da infância marcada por manifestações pentecostais que fugiam de qualquer moderação,das loucuras que via em pessoas boas e pobres correndo atrás de adivinhações por vezes chamada de profecias;Thiago esqueceu de tudo e todos;acusações não faltaram.
Homem sem fé.Dedicaram-lhe este termo,um dos mais puros diante de tantos outros adjetivos.
Certo dia ouviu uma bela música seguida de uma pregação sensata em estação de rádio batista ficou fascinado pela erudição do culto,reverência dos membros,música sofisticada;colocou em seu coração a certeza de que era membro desta instituição.
A instituição fracassou.
Passado dias e noites percebeu a mesma falta de compaixão,o mesmo julgamento,a mesma anti-piedade nas falas dos muitos membros daquela igreja tão bonita aos domingos a noite e tão virulenta quanto outros ramos que havia conhecido.Cabisbaixo,prometeu a si não mais voltar.
Encontrou em suas muitas leituras uma igreja Luterana.Sendo Lutero pintado como um grande libertador protestante das mãos leves da antiga Igreja de Roma,imaginou estar sendo amparado por Deus a ir de encontro com esta nova fé.Foi até a igreja e pode sentir em cada traço da liturgia uma ponta de orgulho.
Orgulho que aflorou a cada culto reformado e criou-lhe uma barreira tão grande que já não sabia quem era e muito menos pra onde tudo aquilo estaria lhe levando.
Pessoas fechadas em sua cultura deixando o mar da prepotência tomar lugar do altruísmo.
Olhava-se no espelho e pensava:"Em que me transformei?"
Chorou pela avó morta,mulher negra,baixinha,auxiliar de cozinha,divorciada,pensionista.Sorridente.
A avó nunca fez restrições as muitas igrejas protestantes existente achava bonito a diversidade e com sua cultura de mulher negra guerreira sabia que o neto seria um galante protestante fosse tradicional,pentecostal ou Testemunha de Jeová.Ela sonhava.
Ele se lembrava da avó assim,na alegria da vida.No bater palmas de hinos pentecostais desafinado, na oração séria feita com fé,nos gritos altissismos de aleluias pelas "vitórias" alcançadas;resumiu suas lembranças com um aleluia baixo.Ele era assim não dado as gritarias,mas abraçado a felicidade.
Desligou-se da igreja fria e longínqua.Revigorou a fé na vida.
"No ser humano ao meu lado encontro a tristeza e alegria do passado"
Bateu palmas desritmado.

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