"Considerando a pouca idade diverte-me teu sexo"
Eliana saiu de cima do ex aluno de 18 anos com quem havia feito sexo durante a tarde toda na casa dela enquanto o marido viajava pela Europa com a secretária bílingue 13 anos mais nova que ela.
Os corredores escuros da Escola Estadual Felipe Hofenstiedl na comunidade carente de Peruíbe causou fetiche em Eliana desde o primeiro dia em que ela entrou para ser voluntária e acabou lecionando português em aulas de reforço.
Num dos muitos dias nublados de São Paulo conheceu Juan,jovem moreno de cabelos pretos lisos,olhos grandes escuros,boca carnuda e dentes branquissimos,1,73,fala firme de quem sabe soletrar Liechtenstein.
Juan tinha interesse nas palestras sobre autors nacionais,gostava muito de Guimarães Rosa e aprendeu com a bela professora que até então não tinha notado a apreciar poesias tornando-se em pouco tempo fã confesso de Wally Salomão.
Não conversavam.
Apenas as palestras lhe interessavam.
Quando completou três meses de aulas ininterruptas houve uma pequena festa e Juan surpreendeu a todos tocando uma bela canção de Adriana Calcanhoto e Wally Salomão,foi a primeira vez que Eliana gozou sem ter sido tocada por ela mesma ou por outro.
Ao chegar em casa transou com o marido como se estivessem voltado aos 18 anos e em sua cabeça estavam num banco de um carro qualquer,sujeitos a serem multados,vistos,abordados enfim...O frisson do novo,do poético com o real a distanciavam daquele grande apartamento do Morumbi outrora habitado por duas pessoas de meia idade que comem comida sem sal e preferem piscina à praia.
Pela manhã um beijo rápido no marido e escola.
Espera por Juan.
Ao chegar Juan percebeu os olhos desejosos da professora e na saída convidou-a pra ir em sua casa;um quarto-sala pequeno onde mal cabiam cama e geladeira,mas eles utilizaram tão somente a pequena mesa redonda.
Gozaram juntos.Suaram juntos.
Levantaram-se juntos.
As aulas acabaram.
A beleza que nos une.As palavras formam pontes entre corações distantes que hoje se enlaçam fraternalmente para um algo a mais.
sábado, 8 de agosto de 2009
terça-feira, 14 de julho de 2009
Edu Mackenzie
Se ele soubesse o que fazer não estaria ali parado de frente pra geladeira de porta fechada.
Não havia tostão algum em seus bolsos a não ser as moedas dos três ônibus que tinha que pegar pra ir ao teatro,ator iniciante carreira/perigo disse sua mãe,até aquele momento ele pode respirar nem sempre sossegado mas com nariz em pé.
Caipira em cidade grande Eduardo Souza Pires nome de batismo de Edu Mackenzie o ator de teatro homem negro da pequena cidade de Piquete,sempre sonhou em frequentar a Faculdade Presbiteriana Mackenzie que ouvira falar bem através de jornais e dos membros da igreja que sua mãe frequentava,ela mulher pobre empregada doméstica que criou o rapaz com pouco arroz e feijão e muita severidade advinda do amor incondicional a este.
Edu conheceu o teatro na escola quando lia os jornais levado pela professora para sala de aula e ali no caderno jornalístico destinado a artes ele viu algo intrigante uma ator de televisão longe daquela luz da tv,aquela maquiagem rica,aquele jeito de que "tudo sabe" que só a tv proporciona,viu um ator de tv totalmente modificado.
Não sabia identificar o que.
E foi a primeira impressão que teve depois confirmada por outras vezes e chegou a um determinado pensamento:"Atores mudam no teatro,recebem vida ali"
Passou a sonhar com teatro e um dia sonhou estar em cima do palco,sim,ele como ator;sua mãe na primeira fileira também recebia aquela luz que só o teatro proporciona,acordou sorrindo.
Aos 15 anos saiu de Piquete e foi morar com um casal de tios em São Paulo viveu com eles durante três anos e quando pegou certa confiança na cidade se achou pronto a ir morar sozinho num pequeno quarto/sala pra moços solteiros.Trabalhava como entregador de gás de cozinha durante o dia e fazia teatro a noite começou fazendo curso numa pequena sala disposta pra oficinas pela secretaria de cultura da cidade.Dali foi convidado a participar de um grupo de teatro e começou seu trajeto artístico.
Sua mãe não o vira no teatro após 2 anos de já ter iniciado,ela cria no talento do filho mas tinha medo da falta de sucesso que este meio de trabalho premia seus ardorosos valentes..
Em um mês de Abril Dalva Souza Pires fechou os olhos e dormiu.
Edu Mackenzie voltou a Piquete pra enterrar a mãe.
Pegou os pequenos pertences,alguma economia e voltou a São Paulo.
Não chorou.
Três dias passados Edu Mackenzie estreou como ator protagonista de um musical europeu que seria montado no Brasil por uma temporada de três anos,após um ensaio cansativo de danças e canto voltou pra sua kitnet tomou um banho rápido e pensou em fazer chá.
Ao caminhar em direção a geladeira,chorou.Olhando a geladeira de porta fechada reavaliou a vida que se fechará num fim.
Não havia tostão algum em seus bolsos a não ser as moedas dos três ônibus que tinha que pegar pra ir ao teatro,ator iniciante carreira/perigo disse sua mãe,até aquele momento ele pode respirar nem sempre sossegado mas com nariz em pé.
Caipira em cidade grande Eduardo Souza Pires nome de batismo de Edu Mackenzie o ator de teatro homem negro da pequena cidade de Piquete,sempre sonhou em frequentar a Faculdade Presbiteriana Mackenzie que ouvira falar bem através de jornais e dos membros da igreja que sua mãe frequentava,ela mulher pobre empregada doméstica que criou o rapaz com pouco arroz e feijão e muita severidade advinda do amor incondicional a este.
Edu conheceu o teatro na escola quando lia os jornais levado pela professora para sala de aula e ali no caderno jornalístico destinado a artes ele viu algo intrigante uma ator de televisão longe daquela luz da tv,aquela maquiagem rica,aquele jeito de que "tudo sabe" que só a tv proporciona,viu um ator de tv totalmente modificado.
Não sabia identificar o que.
E foi a primeira impressão que teve depois confirmada por outras vezes e chegou a um determinado pensamento:"Atores mudam no teatro,recebem vida ali"
Passou a sonhar com teatro e um dia sonhou estar em cima do palco,sim,ele como ator;sua mãe na primeira fileira também recebia aquela luz que só o teatro proporciona,acordou sorrindo.
Aos 15 anos saiu de Piquete e foi morar com um casal de tios em São Paulo viveu com eles durante três anos e quando pegou certa confiança na cidade se achou pronto a ir morar sozinho num pequeno quarto/sala pra moços solteiros.Trabalhava como entregador de gás de cozinha durante o dia e fazia teatro a noite começou fazendo curso numa pequena sala disposta pra oficinas pela secretaria de cultura da cidade.Dali foi convidado a participar de um grupo de teatro e começou seu trajeto artístico.
Sua mãe não o vira no teatro após 2 anos de já ter iniciado,ela cria no talento do filho mas tinha medo da falta de sucesso que este meio de trabalho premia seus ardorosos valentes..
Em um mês de Abril Dalva Souza Pires fechou os olhos e dormiu.
Edu Mackenzie voltou a Piquete pra enterrar a mãe.
Pegou os pequenos pertences,alguma economia e voltou a São Paulo.
Não chorou.
Três dias passados Edu Mackenzie estreou como ator protagonista de um musical europeu que seria montado no Brasil por uma temporada de três anos,após um ensaio cansativo de danças e canto voltou pra sua kitnet tomou um banho rápido e pensou em fazer chá.
Ao caminhar em direção a geladeira,chorou.Olhando a geladeira de porta fechada reavaliou a vida que se fechará num fim.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
BenCastle
Estava sozinha até aquele momento,quando ouviu o carro do vizinho chegar na casa ao lado.Foi até ele e não se ateve simplesmente em olha-lo:tenho sentido algo aqui dentro de mim que pode ser chamado de amor.
O rapaz com seu sorriso sempre belo disse:Não tenho pretensões em me amarrar a quem quer que seja.
Mônica deu um passo para trás e saiu.
"Como pude ser tão tola?"
Indagada por si mesma,não chorou apenas tomou uma aspirina antes de se deitar.
Acordou de madrugada,com dores musculares,dor de cabeça e vômito.
Pensou em levantar da cama mas não conseguiu,vomitou ao lado da cama jogou um travesseiro em cima do líquido amarelo que saiu da sua boca,olhou pro teto e viu animais irreconheciveis mistura de hipopótamo com escorpião,elefantes com asas de morcego e tudo a girar.
Seu corpo ardia debaixo de edredons caros e sem niguém ao seu lado.
Telefone caiu ao chão e ela não conseguia alcança-lo.
Não dormiu,mal acordou,pela manhã agradeceu aos céus pela melhora.
Foi até o carro do vizinho que estava pronto pra sair e disse:Sofri por mim ao amar a ti mas hoje percebo que senão fosse a dor passada não seria capaz de te dizer adeus.As chaves estão aqui volto hoje pra BenCastle minha cidade Natal,procure-me quando tiver certo do que sentes primeiro por ti depois por mim.
O rapaz com seu sorriso sempre belo disse:Não tenho pretensões em me amarrar a quem quer que seja.
Mônica deu um passo para trás e saiu.
"Como pude ser tão tola?"
Indagada por si mesma,não chorou apenas tomou uma aspirina antes de se deitar.
Acordou de madrugada,com dores musculares,dor de cabeça e vômito.
Pensou em levantar da cama mas não conseguiu,vomitou ao lado da cama jogou um travesseiro em cima do líquido amarelo que saiu da sua boca,olhou pro teto e viu animais irreconheciveis mistura de hipopótamo com escorpião,elefantes com asas de morcego e tudo a girar.
Seu corpo ardia debaixo de edredons caros e sem niguém ao seu lado.
Telefone caiu ao chão e ela não conseguia alcança-lo.
Não dormiu,mal acordou,pela manhã agradeceu aos céus pela melhora.
Foi até o carro do vizinho que estava pronto pra sair e disse:Sofri por mim ao amar a ti mas hoje percebo que senão fosse a dor passada não seria capaz de te dizer adeus.As chaves estão aqui volto hoje pra BenCastle minha cidade Natal,procure-me quando tiver certo do que sentes primeiro por ti depois por mim.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Rosélia
Ela cantou alto naquela manhã.
Rosélia mulher séria com idade média,estatura média,religiosidade média,negra de tonalidade média,mezzo soprano.Vivia em seu apartamento com casal de papagaios inférteis,um cachorro vira lata bem próximo da beleza de um pequinês.
Assistia novela as 18:15 pontualmente as segundas feiras,trabalhava o resto da semana.
Atendente de caixa em um Hipermercado sentia-se como uma planta que estava a embelezar porém nem sempre era notada.Sorria,cumprimentava,voltava a sorrir e quase nenhum cliente dava-lhe atenção:"Nada pessoal,é apenas pressa" insistia em repetir.
Falta de educação era impensado.
Em uma terça feira de chuva recebeu um "muito obrigado" de um alto homem de tez negra e sorriso lindo e este foi o primeiro de muitos à cada vez que o via o coração disparava e a pergunta lhe vinha:"Será por mim que ele vem?Serei coroada com este príncipe?"
Em sua casa deitada sobre a cama fria teve a intuição de encontrá-lo no dia seguinte,levantou-se viu e reviu roupas escolheu a mais linda no dia seguinte iria sem uniforme.Inventaria uma história qualquer sobre uma festa inesperada na qual passou a noite toda e veio direto pro trabalho tendo tempo apenas de passar em casa e pegar o crachá.Foi a fármacia comprar tinta pros cabelos escolheu vermelho intenso,mais um óleo que dá brilho como se fosse um lustra móvel cosmético.Bateu na casa da vizinha à 00:20 emprestou maquiagem alheia e pediu dicas de tingimento de cabelo.Aprendeu fazer balaiagem caseira.
Enfim o dia chegado,uma negra-ruiva com vestido tomara que caia bege,em um scarpin preto e um par de brincos luxuosamente baratos e lindos,sentou em seu posto com um crachá discreto a lhe sorrir entre os seios médios deliciosos.
A história da festa colou.
A intuição não falhou,o belo negro alto de dentes brancos e afáveis chegou e estupefato apresentou a ela sua noiva Elis,loira alta de sotaque gaúcho.Rosélia levantou-se deixando as compras do jovem Robson(descobriu seu nome naquela noite)chamou um dos seguranças do Hipermercado um Marcos qualquer solteiro,másculo e nordestino e beijou-o,tirou o pau dele pra fora da calça e chupou-o ali,foi chupada ali,tendo por vouyer o supermercado todo e o mais importante Robson e sua gaúcha ao final do gozo disse:"Desculpe o caixa esta fechado"
Rosélia mulher séria com idade média,estatura média,religiosidade média,negra de tonalidade média,mezzo soprano.Vivia em seu apartamento com casal de papagaios inférteis,um cachorro vira lata bem próximo da beleza de um pequinês.
Assistia novela as 18:15 pontualmente as segundas feiras,trabalhava o resto da semana.
Atendente de caixa em um Hipermercado sentia-se como uma planta que estava a embelezar porém nem sempre era notada.Sorria,cumprimentava,voltava a sorrir e quase nenhum cliente dava-lhe atenção:"Nada pessoal,é apenas pressa" insistia em repetir.
Falta de educação era impensado.
Em uma terça feira de chuva recebeu um "muito obrigado" de um alto homem de tez negra e sorriso lindo e este foi o primeiro de muitos à cada vez que o via o coração disparava e a pergunta lhe vinha:"Será por mim que ele vem?Serei coroada com este príncipe?"
Em sua casa deitada sobre a cama fria teve a intuição de encontrá-lo no dia seguinte,levantou-se viu e reviu roupas escolheu a mais linda no dia seguinte iria sem uniforme.Inventaria uma história qualquer sobre uma festa inesperada na qual passou a noite toda e veio direto pro trabalho tendo tempo apenas de passar em casa e pegar o crachá.Foi a fármacia comprar tinta pros cabelos escolheu vermelho intenso,mais um óleo que dá brilho como se fosse um lustra móvel cosmético.Bateu na casa da vizinha à 00:20 emprestou maquiagem alheia e pediu dicas de tingimento de cabelo.Aprendeu fazer balaiagem caseira.
Enfim o dia chegado,uma negra-ruiva com vestido tomara que caia bege,em um scarpin preto e um par de brincos luxuosamente baratos e lindos,sentou em seu posto com um crachá discreto a lhe sorrir entre os seios médios deliciosos.
A história da festa colou.
A intuição não falhou,o belo negro alto de dentes brancos e afáveis chegou e estupefato apresentou a ela sua noiva Elis,loira alta de sotaque gaúcho.Rosélia levantou-se deixando as compras do jovem Robson(descobriu seu nome naquela noite)chamou um dos seguranças do Hipermercado um Marcos qualquer solteiro,másculo e nordestino e beijou-o,tirou o pau dele pra fora da calça e chupou-o ali,foi chupada ali,tendo por vouyer o supermercado todo e o mais importante Robson e sua gaúcha ao final do gozo disse:"Desculpe o caixa esta fechado"
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Rezas
O religioso chega de mansinho perto de mim.Pede que lhe diga o que sinto,o por que de tanta tristeza estampada em meu rosto mulato;saberia responder se não tivesse sido interrogado.
Com roupas,fragrância e sutileza de sacristão mandado as feras, veio o pobre protestante(de pobre não tinha nada)tirar o peso da minh'alma.Poderá ele?
-Quero sexo com você.Disse sorrindo pra ele.
-Minha crença não permite.Disse o sacristão protestante calmamente.
-Qual inquietação te perturba? Persuadiu o protestante.
-Teria tempo pra ouvir,ou desejo de ajudar?(mulato)
-És importante pra mim,como céu pro pássaro.(protestante)
-A rejeição me é por companheira.Desconheço aceitação prévia,sorriso afável ou palavras curtas como:Eu te amo!(mulato)
-Faria o que com tais palavras?(Protestante)
-Se viessem de ti?Beijaria-te!(mulato)
-És meu irmão.(protestante)
-Irmãos se beijam.(mulato)
-Te beijaria.(Protestante)
-Eu também.(mulato)
-Mas qual a certeza de que isso aliviria tua dor?(Protestante)
-Qual a incerteza?(mulato)
-Sou fascinado pelo outro lado.(mulato)
-Que lado?(Protestante)
-Onde há silêncio e escuridão.(mulato)
-A certeza da morte?(Protestante)
-Além da certeza,quero o abraço da morte,o beijo sincero desta companheira de todos.E quero neste momento.Tenho fascínio por este lado escuro e mordaz,há tantos que choram de medo por causa deste nada vigente.Pois eu aceito.Minha oração sincera.(mulato)
-Mas um dia ela chegará a todos.Incluso estas!9protestante)
-Talvez seja isso.Não admito a possibilidade dela chegar quando queira.(mulato)
-Controlador.(Protestante)
-Morra comigo,te peço.(mulato)
-Meu Deus prega a vida(protestante)
-Mais uma vez rejeitado,meu destino real.(mulato)
O sacristão protestante se afasta e caminha pra casa.O mulato sentado canta uma canção de ninar na espera do próximo clérigo.
Com roupas,fragrância e sutileza de sacristão mandado as feras, veio o pobre protestante(de pobre não tinha nada)tirar o peso da minh'alma.Poderá ele?
-Quero sexo com você.Disse sorrindo pra ele.
-Minha crença não permite.Disse o sacristão protestante calmamente.
-Qual inquietação te perturba? Persuadiu o protestante.
-Teria tempo pra ouvir,ou desejo de ajudar?(mulato)
-És importante pra mim,como céu pro pássaro.(protestante)
-A rejeição me é por companheira.Desconheço aceitação prévia,sorriso afável ou palavras curtas como:Eu te amo!(mulato)
-Faria o que com tais palavras?(Protestante)
-Se viessem de ti?Beijaria-te!(mulato)
-És meu irmão.(protestante)
-Irmãos se beijam.(mulato)
-Te beijaria.(Protestante)
-Eu também.(mulato)
-Mas qual a certeza de que isso aliviria tua dor?(Protestante)
-Qual a incerteza?(mulato)
-Sou fascinado pelo outro lado.(mulato)
-Que lado?(Protestante)
-Onde há silêncio e escuridão.(mulato)
-A certeza da morte?(Protestante)
-Além da certeza,quero o abraço da morte,o beijo sincero desta companheira de todos.E quero neste momento.Tenho fascínio por este lado escuro e mordaz,há tantos que choram de medo por causa deste nada vigente.Pois eu aceito.Minha oração sincera.(mulato)
-Mas um dia ela chegará a todos.Incluso estas!9protestante)
-Talvez seja isso.Não admito a possibilidade dela chegar quando queira.(mulato)
-Controlador.(Protestante)
-Morra comigo,te peço.(mulato)
-Meu Deus prega a vida(protestante)
-Mais uma vez rejeitado,meu destino real.(mulato)
O sacristão protestante se afasta e caminha pra casa.O mulato sentado canta uma canção de ninar na espera do próximo clérigo.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Manoela
"Eu não preciso de você".Ela tentou gritar.
"Eu ainda não preciso de você".Foi o que disse.
Manoela,35 anos,sem filhos,parentes ou amigos próximos.Tinha um marido,tinha.
Luís Alberto,49 anos,bancário,simpático,sedutor,carente,compreensivo,bissexual,ex-marido.
"Definitivamente minha cabeça anda fora do lugar";Manoela tentou uma reconciliação.
"Se tuas palavras tivessem tão pouca penetração como teu pedido de perdão estaria tudo correto".Luís Alberto sempre taxativo,aliás era parte de seu ofício.
"Falta isso".Manoela diz desesperançada
"Falta mais ou falta menos?"arrisca-se Luís.
"Disposição,disposição me falta pra falar do silêncio que há entre nós,e sempre irá existir.Qual foi o momento em que cobrei de ti o mesmo fogo que tens com teus amantes?!Em qual data pedi que me igualasse a teus pretensos romances?"
"Não te julgo,não te peço,não encareço presentes,não publico acusações.Mas esperava, e no fim ainda espero,até ontem esperei... ter um lugar meu.Aí,bem aí,neste teu órgão vital,onde bombeia sangue pra teu corpo que um dia adorei."
"Adorei,ouvistes?!Adorei.Músculos não foram,tão pouco agilidade.O que vi foi o charme em teu sorriso,brandura em tua face,calor em tuas mãos;Luís me fiz tua e pedi que fosses meu."
"Estas me sendo pesarosa com todo esse presságio."Interveio Luís sem palavras melhores.
"Confesso,minhas ações de bom tom não foram.Faltou-me bom senso,delicadeza e vigor.Se fosses tu a culpada sairia daqui alegre mas bem sei que és a fada de algum sonho.Mas a perfeição me causa náuseas e prefiro os lábios sonsos de quem tem por mim desejo e chama."Luís desferiu um golpe crendo ser ele mortal.
"Palavras de um homem vil e brutal.Seria o gari mais digno em sua despedida?Deixo de pensar em ti como homem e te vejo como algo,talvez um copo,mas este me é útil.Até numa despedida um homem tem de ser um Homem e isto nem o tempo muito menos o vento te ensinará és reles no carácter e quem dirá na alma!Vá!!"
Saiu ele sem vida.Pela janela do restaurante ela grita:"Teus amantes felizes sejam com amantes deles somente,há quem possa precisar de você?"
Feriu-lhe audazmente,tomou chopp com colarinho.
"Eu ainda não preciso de você".Foi o que disse.
Manoela,35 anos,sem filhos,parentes ou amigos próximos.Tinha um marido,tinha.
Luís Alberto,49 anos,bancário,simpático,sedutor,carente,compreensivo,bissexual,ex-marido.
"Definitivamente minha cabeça anda fora do lugar";Manoela tentou uma reconciliação.
"Se tuas palavras tivessem tão pouca penetração como teu pedido de perdão estaria tudo correto".Luís Alberto sempre taxativo,aliás era parte de seu ofício.
"Falta isso".Manoela diz desesperançada
"Falta mais ou falta menos?"arrisca-se Luís.
"Disposição,disposição me falta pra falar do silêncio que há entre nós,e sempre irá existir.Qual foi o momento em que cobrei de ti o mesmo fogo que tens com teus amantes?!Em qual data pedi que me igualasse a teus pretensos romances?"
"Não te julgo,não te peço,não encareço presentes,não publico acusações.Mas esperava, e no fim ainda espero,até ontem esperei... ter um lugar meu.Aí,bem aí,neste teu órgão vital,onde bombeia sangue pra teu corpo que um dia adorei."
"Adorei,ouvistes?!Adorei.Músculos não foram,tão pouco agilidade.O que vi foi o charme em teu sorriso,brandura em tua face,calor em tuas mãos;Luís me fiz tua e pedi que fosses meu."
"Estas me sendo pesarosa com todo esse presságio."Interveio Luís sem palavras melhores.
"Confesso,minhas ações de bom tom não foram.Faltou-me bom senso,delicadeza e vigor.Se fosses tu a culpada sairia daqui alegre mas bem sei que és a fada de algum sonho.Mas a perfeição me causa náuseas e prefiro os lábios sonsos de quem tem por mim desejo e chama."Luís desferiu um golpe crendo ser ele mortal.
"Palavras de um homem vil e brutal.Seria o gari mais digno em sua despedida?Deixo de pensar em ti como homem e te vejo como algo,talvez um copo,mas este me é útil.Até numa despedida um homem tem de ser um Homem e isto nem o tempo muito menos o vento te ensinará és reles no carácter e quem dirá na alma!Vá!!"
Saiu ele sem vida.Pela janela do restaurante ela grita:"Teus amantes felizes sejam com amantes deles somente,há quem possa precisar de você?"
Feriu-lhe audazmente,tomou chopp com colarinho.
terça-feira, 14 de abril de 2009
Campo,Camponeses
Do outro lado da parede tem um campo de futebol meninos correm atrás da bola todas as tardes e manhãs,rapazes transam com mulheres suas na madrugada,mulheres passam com saias esvoaçantes para suas missas e cultos em punho Bíblia e terços,neste campo não passa boi e nem boiada,passam Tarcísios,Marinas e Ignácios.
Quando era pequeno e em Deus acreditava via o céu azul e um muro despontava,seguido de dragões,castelos e guerreiros formados de nuvens brancas e também escuras que desmanchavam em chuvas finas na tarde de Pombal pequena cidade a leste do arco-iris no fim da escada de mármore da mansão de Sinhá Ilusão,senhora distinta em constante alegria.Nasci assim em Pombal,me lembro de estar sentado desde sempre.
Corri pouco ou quase nada.Corri nos sonhos,ali também pedalava.Numa noite de sono em sonho subi num pé de goiabeira,atirei umas cem dentro do cesto e levei pra Benta,tia mais velha de minha mãe fez-me doce até enjoar;eu e ela comemos pouco só o cheiro abastecia.
Tia Benta depois do banho contou uma história,começava assim:"Dentro da noite escura,entre o espinheiro e a rosa clara tem um poço que cheira absinto quem ali pular vira peixe e não mais volta",acordei.Tia Benta não estava foi morar em Rio D'Agua lá pras bandas de Tiro Milho longe que só vendo,fui até a cozinha pegar bolo de aipim e café quente vi dos lados de lá do campo de futebol um negrinho sendo espancado por três homens ruins,gritavam:"Mardito nego,pego agora paga".
Nenhum furto de pêra ou maçã(isso estava na mãos do menino negro)valia a sova que levava de três homens,estirado no campo ficou o negro com seus 13 anos de vida esvaindo sangue pelo nariz e choro de quem ainda dá retorno.
O campo me traz memórias boas no tempo quando cria em Deus,o campo me fez chorar quando cadeira de rodas lembrou quem sou eu.
Quando era pequeno e em Deus acreditava via o céu azul e um muro despontava,seguido de dragões,castelos e guerreiros formados de nuvens brancas e também escuras que desmanchavam em chuvas finas na tarde de Pombal pequena cidade a leste do arco-iris no fim da escada de mármore da mansão de Sinhá Ilusão,senhora distinta em constante alegria.Nasci assim em Pombal,me lembro de estar sentado desde sempre.
Corri pouco ou quase nada.Corri nos sonhos,ali também pedalava.Numa noite de sono em sonho subi num pé de goiabeira,atirei umas cem dentro do cesto e levei pra Benta,tia mais velha de minha mãe fez-me doce até enjoar;eu e ela comemos pouco só o cheiro abastecia.
Tia Benta depois do banho contou uma história,começava assim:"Dentro da noite escura,entre o espinheiro e a rosa clara tem um poço que cheira absinto quem ali pular vira peixe e não mais volta",acordei.Tia Benta não estava foi morar em Rio D'Agua lá pras bandas de Tiro Milho longe que só vendo,fui até a cozinha pegar bolo de aipim e café quente vi dos lados de lá do campo de futebol um negrinho sendo espancado por três homens ruins,gritavam:"Mardito nego,pego agora paga".
Nenhum furto de pêra ou maçã(isso estava na mãos do menino negro)valia a sova que levava de três homens,estirado no campo ficou o negro com seus 13 anos de vida esvaindo sangue pelo nariz e choro de quem ainda dá retorno.
O campo me traz memórias boas no tempo quando cria em Deus,o campo me fez chorar quando cadeira de rodas lembrou quem sou eu.
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